POESIA DE

ILONA BASTOS

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POEMAS

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A CHUVA

Ilona Bastos

VINCENT VAN GOGH

Vincent Van Gogh, Bridge in the rain (after Hiroshige) - Japonaiserie - Oil on canvas
73.0 x 54.0 cm
Paris, 1887
Van Gogh Museum Amsterdam

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Este som, leve e metálico,

Da chuva que bate nos vidros,

Acaba por ser gentil…

Mesmo quando o seu toque se acelera,

Ou se retarda em singulares gotas,

Ou quando o vento sopra, em sonantes rajadas,

Ou sonolento, se esparsa, quase se apaga,

Na inércia cinza da paisagem.

 

É fresca, esta chuva!

Como a ouço, talvez brejeira,

Não indelicada…

Deixou exultantes as flores vermelhas

Daquela exótica planta do jardim fronteiro,

De que não conheço o nome nem o apelido.

Garota, foge agora ao ritmo, insistente,

Esparrinha o tecto da marquise, desafiante…

 

As nuvens escuras avançam com rapidez!

Sente-se a chuva protegida, e precipita-se

Com violência implícita,

Tão distante da delicadeza inicial.

Rufia, já não soa a música,

Como anunciara à chegada,

Agreste, não poupa os tons, as linhas,

Os traços, as cores, os vultos

Desta cidade, que se afunda no temporal…

 

 

Lisboa, 20 de Maio de 2007

 

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Sugestão de visita: Poesía Pura

 

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Pintura de Henri Lebasque

Som de fundo: Chopin, Opus 25

Mais recente actualização: 23 de Maio de 2007