POESIA DE

ILONA BASTOS

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POEMAS

 

POEMA-QUADRO

Ilona Bastos

 
 

Pierre Bonnard, The Open Window, 1921

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Do traçado breve

desenhando um vulto sentado à janela

liberta-se não sei que estranha calma,

que suave paz.

São as mãos esguias

pousadas sobre os joelhos.

São os olhos plenos de paisagens

lançados além vidros.

É o recostar no espaldar de uma cadeira

numa imobilidade que não fere as dimensões

nem o silêncio, e em si se afirma ser.

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Eloquente, a vida existe

impregnada nas rectas de um tampo de madeira

que é mesa e paleta,

no esboço de um cilindro

que é caneta e pincel,

no brilho de uma janela

que é papel e tela

onde se compõe um poema-quadro.

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© 2004 - Ilona Bastos - Todos os direitos reservados

Pintura de Henri Lebasque

Som de fundo: Chopin, 2 Nocturnes, Opus 27, nº 2

Mais recente actualização: 9 de Outubro de 2005