POESIA DE

ILONA BASTOS

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POEMAS

 


FALAR DE MIM

Ilona Bastos

imagem da internet

 
Nas coisas e nos seres

Estampo a minha luz.

E descrevo-os, assim,

Luminosos ou sombrios,

Consoante me sinto.



Falar do que me rodeia

É, por isso, falar de mim.

Como evitá-lo?



Escrever sobre o cadeirão,

Colocado junto à janela –

O tecido verde e rosado,

Amparado pela armação

Leve, em madeira clara –

É dizer de mim, ou do outro,

O que pensou o desenho,

Escolheu o tecido e os tons,

Coseu almofadas e botões,

Cortou o pinho e amaciou-o?


É falar de mim ou daquele

Que no cadeirão se senta,

E o faz seu ao longo dos dias

E das noites?

Ou é antes recordar a mulher,

que lhe limpa o pó?

Ou o cão, que nele se aninha,

preguiçoso?

Ou o que construiu o edifício

E rasgou a janela?


Continuo a pensar,

Apesar de tudo,

Que o cadeirão,

No meu olhar,

É imagem minha,

E se dela falo, é de mim,

Afinal, que estou a falar.



Lisboa, 27 de Junho de 2005

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Pintura de Henri Lebasque

Som de fundo: Chopin, 2 Nocturnes, Opus 27, nº 2

Mais recente actualização: 5 de Outubro de 2005