POESIA DE

ILONA BASTOS

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POEMAS


OUTUBRO

Ilona Bastos

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Fotografia de © Alexandre Aubry


 

Súbita, inesperadamente,

Passo a linha de fronteira

E penetro em Outubro,

O mês sagrado.

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Ouso sorrir, agora,

Porque chegou Outubro.

Posso largar a bagagem

E acomodar-me bem,

Porque voltei a casa.

As ruas com seus adereços,

De prédios antigos,

Sinais luminosos

E árvores douradas,

Tornam-se ternas e familiares,

Porque estamos em Outubro.

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O cair da noite refresca-nos

E convida ao repouso,

Porque estamos em Outubro.

As letras, nos livros, os traços,

No imaculado branco dos cadernos,

Ganham novo brilho,

Porque estamos em Outubro.

Os nossos pensamentos são leves

E a melancolia carinhosa,

Porque estamos em Outubro.

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A televisão mostra programas

De uma inteligência envolvente,

Porque estamos em Outubro.

As montras das lojas, na cidade,

Com a sua colecção de roupa quente,

Atraem-me com sonhos e acenos,

Porque estamos em Outubro.

A música soa viva, harmoniosa,

Porque estamos em Outubro,

E o vento sopra confidências.

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Porque estamos em Outubro,

O castanho e o verde da Natureza

Acariciam-nos o olhar.

Porque estamos em Outubro,

A chuva, quando vier, se vier,

Será festiva e doce.

Porque estamos em Outubro,

A calçada estenderá, diante de mim,

Um espantoso tapete de folhas

Em todos os tons de amarelo,

De vermelho, de dourado,

E convidar-me-á a sair,

A avançar, a criar, a viver…

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Só porque estamos em Outubro!



 

Lisboa, 1 de Outubro de 2005

 

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© 2004 - Ilona Bastos - Todos os direitos reservados

Pintura de Henri Lebasque

Som de fundo: Chopin, 2 Nocturnes, Opus 27, nº 2

Mais recente actualização: 1 de Outubro de 2005