POESIA DE

ILONA BASTOS

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POEMAS


O ESCREVER DA POESIA

Ilona Bastos

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Fotografia de © Aurel Duka

Não sei se escrevo poesia

Ou se a poesia me escreve.

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É presunção, decerto, julgar-me criadora,

Chamar poesia a estas palavras

Que debito, desajeitadas e frouxas,

Nas brancas páginas de um caderno.

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Maior presunção, ainda,

Acreditar que meus actos desconexos,

Pensamentos e gestos perplexos,

Encerram em si a poesia, o motor

Gerador do meu viver.

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E, contudo, a poesia existe em mim

E em meu redor. Sinto-a!

Encontro-a amiúde,

Em manhãs de sol radiante,

Em tardes de plúmbeo céu,

Em noites quentes de abóbada estrelada.

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Nem sempre, é certo, a reconheço,

Nem sempre, é certo, me toca e aborda…

Não sei mesmo de onde vem,

Os caminhos que percorre,

Suas maneiras e manhas.

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Dias há que a procuro em vão,

Nas esquinas e nas sombras,

Mesmo nas iluminadas avenidas

Que essa luz branca, esfuziante,

Torna nítidas e confusas,

Na confusão que tudo invade,

E cresce, se a poesia não está.

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É-me estranha, é-me íntima a poesia!

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Ténue, fugidia, forte, impressionante,

Dá sentido ao que sentido não tem,

Mas se a escrevo ou se me escreve,

Isso é que eu não sei bem…

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 Lisboa, 9 de Março de 2005


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© 2004 - Ilona Bastos - Todos os direitos reservados

Pintura de Henri Lebasque

Som de fundo: Chopin, 2 Nocturnes, Opus 27, nº 2

Mais recente actualização: 13 de Fevereiro de 2005