POESIA DE

ILONA BASTOS

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POEMAS

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O TEMPO

Ilona Bastos

Fotografia de © Paulo Vaz


Quando voltará o tempo

a estender-se a nossos pés

como uma planície verdejante?

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Que saudades das tardes imensas,

infinitas, em que brincávamos,

corríamos, descansávamos

e líamos, horas a fio,

esses romances que nos enchiam a alma

e que em nós se tornaram!

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Durmo demais ou de menos?

Sou lenta ou, antes,

apressada em demasia?

Manhãs e tardes esfumam-se

na voragem do dia-a-dia…

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Nervosamente antecipo o pôr-do-sol,

enquanto percorro este labirinto

feito de momentos compartimentados,

intercalados por corredores

apinhados de ânsias e temores,

que são o meu tempo de hoje.

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Sonho com o regresso do tempo infindo,

em que o corpo voltará a correr livre,

como criança, e o espírito, ousado,

voará mais alto do que nunca!

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Tanto desejo esse tempo!

Tanto planeio criar

nessa planície verdejante!

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Caiam paredes!

Dilate-se o espaço!

Germinem sementes!

Estenda-se a nossos pés

a imensidão do tempo!

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 Lisboa, 15 de Dezembro de 2004

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© 2004 - Ilona Bastos - Todos os direitos reservados

Pintura de Henri Lebasque

Som de fundo: Chopin, 12 Estudes, Opus 25, nº 1

Mais recente actualização: 29 de Janeiro de 2005