POESIA DE

ILONA BASTOS

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POEMAS


FINGINDO

Ilona Bastos

http://trpz.org/2004/05/17_0025.html

Disse, fingindo, que a minha poesia

É prosa cortada aos pedaços.

E fiz o gesto do cutelo, gargalhando.

Acrescentei que tiro um verbo

Aqui, e uma preposição ali,

Para deixar o texto destrambelhado,

Inteligente. Soltando risadas alegres,

Coloco um título, e assim

É que escrevo a minha poesia.



Terminei e desliguei, pensando:

Fernando Pessoa é que sabia.

Os versos perseguem-me todo o dia -

“O poeta é um fingidor.

“Finge tão completamente…”



Procuro este caderno âncora

Onde deposito desabafos incoerentes,

Que finjo serem fingidos, e são,

Pois não desvendam nem espelham

A infinitésima parte do furacão

Que me percorre, abala e arrasa,

E verto em homeopáticas doses

Nestes poemas delicados, polidos,

Dilacerados nos cortes que faço,

Rindo, sorrindo, fingindo

Que finjo...



 Lisboa, 7 de Dezembro de 2004

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© 2004 - Ilona Bastos - Todos os direitos reservados

Pintura de Henri Lebasque

Som de fundo: Chopin, 12 Estudes, Opus 25, nº 1

Mais recente actualização: 7 de Dezembro de 2004