POESIA DE

ILONA BASTOS

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POEMAS


MURALHAS

Ilona Bastos

http://praiaonline.planetaclix.pt/galeria.htm


É explicável o motivo por que ergo muralhas.

Se o não fizer, tomam-me a alma de assalto,

Sugam-me a essência, o espírito, a energia.

Levam-me tudo, deixam-me de casa vazia,

Sem que a ofensa eu consiga reparar.

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Há-os, certamente, os salteadores de almas,

Que se comprazem em saquear emoções alheias.

Temo-os mais que tudo, adivinho-os de longe,

Identifico-os e deles fujo, em retirada,

A abrigar-me em segurança no meu forte.

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Bem me protegi do mundo, saibam bem.

Extremosamente cuido das minhas muralhas,

Cujas frestas tapei, portas murei, janelas emparedei.

Inexpugnáveis, não deixam passar vivalma,

As altas muralhas de que me cerquei.

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Não passa nada, Senhor, que nisso eu me empenhei.

Nem assaltantes de fora, nem ameaças soturnas,

E nem mesmo a criatura, tão triste, em que me tornei…

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 Lisboa, 14 de Novembro de 2004

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Pintura de Henri Lebasque

Som de fundo: Chopin, 24 Preludes, Opus 28, nº 20

Mais recente actualização: 1 de Fevereiro de 2005