POESIA DE

ILONA BASTOS

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POEMAS

O QUE ESCREVO

Ilona Bastos

..

Já passei o tempo

de escrever poemas de amor.

Já passei o tempo

de escrever poemas inteligentes.

.

Nem uns, nem outros,

neste aqui e agora,

me trazem a felicidade -

meu desiderato presente.

...

Procuro-a na essência do ser.

Atenta aos detalhes –

alheia às aparências.

..........

Quantos poemas inteligentes escrevi,

que me afundaram

no abismo do inexorável!

.

Quantos amores cantei,

que mais lágrimas geraram

do que beijos!

.

Aos olhares do mundo,

que tanto me corroeram outrora,

respondo com a placidez do viandante

que desceu ao fundo do poço,

subiu ao cume da montanha

e optou pelo vale sereno.

.

Agora escrevo a Natureza,

na procura do bem e da luz.

.

Se me aventuro na escuridão,

levo lanterna para iluminar o caminho –

meu e dos que encontro

no percurso.

.

Por isso deixei de escrever

poemas inteligentes, esses exercícios

sobre o efeito luz/sombra

que tanto me exaltavam o ego

e conduziam ao precipício.

.

Quanto ao amor,

já não escrevo sobre ele -

vivo-o!

.

.

.

 Lisboa, 27 de Agosto de 2004

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Pintura de Henri Lebasque

Mais recente actualização: 29 de Outubro de 2004