É VERÃO NO BOSQUE!

Ilona Bastos

     
         
   

PASSEIO PELO BOSQUE

Agora o tempo passava a correr, pois não mais havia as longas perseguições dos cães, nem as frias chuvas do Inverno.

Todos os dias o passarinho ia visitar a coelhinha Magui, que com o tempo já aprendera a andar, a falar e… a fazer traquinices, o que causava alguma preocupação aos seus pais.

No dia em que a Magui completou dois meses, os pais resolveram levá-la a dar um passeio pelo bosque. Queriam que a filhinha conhecesse alguns dos seus amigos, e desejavam também que pudesse apreciar a beleza do arvoredo em pleno Verão.

Começaram por apresentá-la às duas irmãs coelhinhas Castanha e Avelã, mais conhecidas por Nana e Lalã. Juntas, brincaram com muito entusiasmo, e as duas manas ensinaram à pequenina jogos e brincadeiras. Depressa  Magui se deixou encantar pela alegria de Nana e Lalã, de quem se tornou amiga, e quando os pais vieram  avisá-la de que estava na hora de continuarem o seu passeio, a coelhinha ficou muito triste, por não querer separar-se das amigas.

- Para a próxima vez brincas mais – disse a mãe para a consolar, enquanto se despediam daquela simpática família.

Pelo caminho, Magui não se afastava dos pais, e por vezes assustava-se quando um animal desconhecido surgia de um carreiro ou por detrás de uma árvore. O pai explicava-lhe quem era cada animal, quais eram os amigos, e quais deveriam ser evitados.

Ao virarem uma moita, encontraram-se em frente à casa do senhor mocho Alberto, que por ter sido avisado da visita se mantivera acordado.

- Bom dia a todos! – saudou ele, com uma voz um pouco sonolenta. – Como têm passado?

- Bem, muito obrigado – respondeu Francisco, o pai coelho. – Viemos mostrar-lhe a nossa Magui.

- Oh! Sim senhor! Como cresceu desde a última vez que a vi… - disse o senhor mocho, amável e vagarosamente. – Sim senhor!

Ao ouvir isto, Magui soltou uma alegre gargalhada:

- Ah! O senhor mocho … é a primeira vez que me vê… Ah! Ah!

- Chiu! Magui… - repreenderam o pai e a mãe ao mesmo tempo, enquanto o senhor mocho Alberto, muito atrapalhado, se desculpava:

- Oh! Na verdade… sim. Naturalmente, eu ainda não a tinha visto, mas tinham-me contado que…

- Senhor mocho, não se preocupe que a Magui estava a brincar… - disse o pai coelho.

- Na verdade... sim… sim! – conseguiu o senhor mocho gaguejar.

- Bom, agora temos que continuar as nossas visitas – despediu-se  a mãe coelha - Até à próxima!.

Ao vê-los afastarem-se, o senhor mocho suspirou fundo, aliviado com a inesperada partida.

Quanto ao senhor coelho Francisco, envergonhado com o comportamento da filha, repreendeu-a:

- Magui, acho melhor que na próxima visita não te portes mal, e que não faças comentários pouco educados.

- Sim, papá... – respondeu a coelhinha, muito triste. – Eu disse aquilo só porque era verdade e …

- Está bem, mas agora silêncio, porque estamos a chegar a casa da dona tartaruga. – recomendou a mãe, ao mesmo tempo que levantava a pata e batia à porta de uma casinha branca com telhado vermelho.

- Toc! Toc! Toc!

De dentro de casa ouviu-se o arrastar de patas, o abrir dos ferrolhos e, por fim, a porta entreabriu-se.

A cara da tartaruga apareceu e uma voz roufenha gritou:

- Quem é? Não são ladrões?!...

A senhora coelha Marina e o senhor coelho Francisco entreolharam-se, sorrindo, e responderam:

- Não, não somos ladrões. Somos a Marina e o Francisco!

Então, a porta abriu-se completamente e a dona tartaruga saudou os visitantes.

- Desculpem a desconfiança, mas todos os cuidados são poucos. Cá no bosque há muitos gatunos, muitos! Sabem lá o que me aconteceu no outro dia…

E contou uma história de polícias e ladrões, que é na verdade o seu assunto favorito, o único que realmente a entusiasma.

A dona tartaruga vive no bosque há muito, muito tempo, e tem tantos anos que já se perdeu a conta à sua idade. Ela própria deixou de festejar o aniversário desde que completou os cem anos. Ah, e isso já aconteceu há alguns Invernos atrás!

Apesar do seu comportamento um pouco excêntrico, a dona tartaruga tem um bom coração e gosta de ser amável com todos… excepto com os ladrões, naturalmente. Decerto desmaiaria de vergonha se reparasse que não tinha convidado a entrar na sua casa a família coelho. Mas não reparou, por isso, durante quase uma hora Magui e os pais ouviram, sem uma única interrupção, aquela formidável história sobre o roubo do seu chapéu de palha com a fita azul.

Quando a história terminou, eles apressaram-se a despedir-se, antes que a boa da tartaruga avançasse para outra emocionante aventura.

- São já sete horas! – exclamou a mãe …., olhando para o seu relógio, com espanto. – Não temos tempo de visitar mais ninguém hoje. O melhor é voltarmos para casa.

O pai …. concordou imediatamente, e a Magui ficou satisfeita, a pensar nas belas cenouras que a mãe ia estufar para o jantar.

Assim, a família Coelho regressou a casa, cumprimentando, pelo caminho, os animais amigos que iam passando.

Quando se deitou, Magui sentia-se muito cansada, mas satisfeita, e sonhou durante toda a noite com o seu belo passeio pelo bosque.

   
         
   

Outra História  Regresso à Primeira Página

   

Mapa do Site Era uma vez...

 
   

  Texto © 1998-2003 - Ilona Bastos...Imagens Animadas - http://gifsanimados.espaciolatino.com/

.................................................................................................................... .- http://www.ilonarostmartins.com/