É VERÃO NO BOSQUE!

Ilona Bastos

     
         
   

 A COELHINHA MAGUI

 Pelo bosque não se ouviam já os tiros das espingardas nem os latidos dos cães. Tinha acabado a guerra entre os homens e os animais. E durante mais alguns meses os habitantes do bosque poderiam viver em paz, sem a constante ameaça dos caçadores.

Agora, o sol insistia em mostrar-se sorridente e o céu vestia-se de azul.

Do ramo de uma árvore saltou um passarinho que, depois de olhar silenciosamente em redor, gritou:

-Acabou a guerra! Podem  sair das tocas sem receio!

Pequenos olhos espreitaram do fundo das árvores e sebes, mas ninguém se atreveu a aparecer. Espantado com tal comportamento, o passarinho voltou a gritar, mas desta vez com indignação:

- Ora, seus medricas! Venham daí, já que não acreditam em mim, e vejam se não é verdade! Venham! Venham!

Depois destas palavras, ouviu-se grande alarido, e começaram a sair das moitas, das árvores e das tocas, pequenos esquilos, pássaros e coelhos que, receosos, lançavam rápidos olhares à sua volta.

- Como é que sabes que terminou a guerra? – perguntou um esquilo, desconfiado.

- Já não se ouvem os tiros das espingardas, nem se sente o rosnar dos cães. E olha o sol, como nos convida para mais um bom período de descanso – respondeu o passarinho, muito convencido. Fez uma pausa, para pensar um pouco, e depois continuou, em voz de comando:

 - Temos de avisar os outros. Sigam-me!

Bateu asas e começou a voar na direcção da clareira mais povoada do bosque. Atrás, seguiam-no, com grande algazarra, pequenos animais que apareciam dos mais escuros recantos daquele vasto labirinto.

 - Acordem, seus dorminhocos! Saiam cá para fora! – gritava o comandante do batalhão. – Acordem!

Mas ao entrar numa clareira, duas patinhas ergueram-se e dois sonoros “Chiu” fizeram-se ouvir:

- Chiu! Está calado! Nesta casa, nasceu uma coelhinha – disse um ratinho, apontando para a árvore mais próxima. – Tens de parar com esse barulho.

- Podemos ver a coelhinha? – perguntou logo um esquilo, entusiasmado.

- Não sei – respondeu o ratinho, lançando um olhar inquiridor à ratinha que se encontrava ao seu lado. – Achas que podemos mostrar a coelhinha Magui?

- Com certeza! – disse a ratinha, satisfeita. E, abrindo a porta da toca dos coelhinhos, avisou, baixinho:

- Estejam calados e caminhem nas pontas das patas para não acordarem a bebé.

O grupo de animais, até aí alegre e barulhento, entrou cuidadosamente num lindo quarto, onde os raios de sol brincalhão tentavam despertar a coelhinha. A bebé, deitada sobre uma caminha de trevos e flores, dormia descansadamente, sob o olhar terno dos pais.

- Como é bonita! – exclamaram uns.

- E tão pequenina! – espantaram-se outros.

E o ar sério, que todos tinham adoptado, fugiu tão depressa que ninguém o viu. Nos rostos dos visitantes tornaram-se visíveis os sinais da grande alegria e da pura felicidade que transbordava dos seus generosos corações. Dos sorrisos nasceram gargalhadas. Dos sussurros cresceram gritos. E não demorou que os bichos mais atrevidos se aproximassem da bebé para lhe tocar, para lhe dar festas e beijos. E a coelhinha acordou.

- Calma! Calma! – recomendou a mãe, com voz suave. – Se querem cumprimenta-la, têm de vir um de cada vez.

- Como se chama ela? – quis saber o gato, que foi o primeiro a ser apresentado à bebé.

- O nome dela é Margarida, porque é linda como a flor que tem esse nome. Mas enquanto for pequenina vamos chamar-lhe Magui – respondeu a mãe, sorrindo. E voltando-se para a filha disse:

- Magui, os nossos vizinhos do bosque querem conhecer-te, portanto sê amável.

Embora pequenina, a coelhinha pareceu compreender as palavras da mãe, e olhou surpreendida para o grupo de bichos alegres que lhe sorriam e acenavam.

Um a um, todos os animais a cumprimentaram, e no final Magui viu-se rodeada de festas e olhares amigos que faziam o possível para lhe agradar.

No entanto, Magui não passava de uma bebé, e por isso adormeceu de seguida, enquanto, pata ante pata, os visitantes deixavam o quarto, aonde novamente regressaram a paz e o silêncio.

   
         
   

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