A História do Ratinho Azul

da

AVÓMI 

   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
         
 
                               
   

2ª Parte

Conforme tinha combinado com a Nuvem, o Ratinho Azul, passado pouco tempo, logo que o Outono se fez anunciar com as primeiras chuvas, aprontou-se, agasalhou-se muito bem, calçou botas de água e lá foi todo contente bater à porta da Nuvem que tinha prometido trazê-lo à Terra.

A Nuvem, quando abriu a porta viu o Ratinho Azul, ficou contente e disse:

- Estava mesmo a arranjar-me, para sair e ir procurar-te, porque estava quase de partida e, o que é prometido é devido, por isso não iria sem te dar conhecimento. Ah, mas agora reparo: Tu já vens prontinho para seguir! E o guarda-chuva?

- Oh, que aborrecimento, esqueci-me completamente do guarda-chuva! - disse o ratinho Azul, desolado - Vou num instante a casa buscá-lo. Achas que tenho tempo, Amiga Nuvem?

- Vai, mas não te demores. Temos que partir quanto antes, porque estou a fazer muita falta na Terra. O Verão foi muito rigoroso e os caudais dos rios diminuíram bastante; as fontes têm pouca água, as árvores estão cheias de sede e os campos estão tão secos, que se não me apresso, em pouco haverá uma catástrofe.

- Uma catástrofe?! O que é isso? - perguntou o Ratinho Azul, admirado por nunca ter ouvido tal palavra.

- Já pensaste no que te aconteceria se não tivesses água para beber, Ratinho Azul?

- Deus me livre de não ter água para beber, Nuvem Amiga! Às vezes como uma comida mais temperada ou um queijinho mais salgado, fico com tanta sede, que até me sinto indisposto. Por sorte, tenho uma fonte de água muito pura mesmo ao pé de casa, corro para lá e consolo-me com aquela aguinha.

- Aí está! Se faltasse água na Terra, todos os seres morreriam e seria uma catástrofe, o que quer dizer que aconteceria uma grande desgraça. Não percamos mais tempo, Ratinho Azul! Vai buscar o teu guarda-chuva; vai num pé e vem no outro.

- Irei a correr, Nuvem Amiga. Ainda corro bem, porque apesar da minha idade, faço muito exercício físico e longas caminhadas.

Minutos volvidos já o Ratinho Azul estava de volta com um grande guarda-chuva e puseram-se a caminho. Chegaram num instante à Terra e ele ficou boquiaberto. Já imaginava a Terra linda, mas tanto, não!

- Que maravilha!!!... - dizia ele - Tenho que começar a percorrer esta linda Terra e não quero deixar nada por ver.

- Terás muitas surpresas e ficarás deslumbrado, como me aconteceu uma das vezes que vim só para passear.

Pronto, vou deixar-te. Quando quiseres regressar, basta chegares ao cimo dum monte e chamares por mim. Virei logo buscar-te. Diverte-te, Ratinho Azul, mas tem cuidado!

- Obrigado, Nuvem Amiga! Não esquecerei as tuas recomendações!

Nesse mesmo dia, o Ratinho Azul começou a passear, sempre de olhos muito abertos, para ver tudo bem. Visitou Jardins, Museus, Exposições, passeou pelas Avenidas ladeadas de belas árvores e até andou no Metropolitano.

Certo dia, quando descia uma Avenida, viu uma escada e resolveu descer, para ver o que se passava lá por baixo. Quando viu chegar aquela coisa tão grande, (era o Metropolitano!) umas pessoas a entrar e outras a sair, entrou também e achou divertidíssimo, não só pela velocidade, mas também, porque todos os passageiros olhavam para ele e alguns até lhe fizeram festinhas.

Os dias sucederam-se e o Ratinho Azul foi arranjando programas diferentes pata cada dia e as surpresas agradáveis foram imensas.

Já o Outono estava a terminar, sentiu saudades de casa, do Céu e da Nuvem que o trouxera à Terra. Subiu então a uma colina e começou a chamar:

- Nuvem Amiga! Nuvem Amiga!... Já passeei muito e satisfiz o meu desejo. Queres vir buscar-me?

O Céu começou a ficar cinzento, as nuvens começaram a movimentar-se, começou a chover e a Nuvem Amiga veio, pegou no Ratinho Azul e levou-o de novo para o Céu, onde é a sua casa.

Na viagem de regresso, o Ratinho Azul foi contando à Nuvem todas as coisas que o encantaram na Terra.

   
                               
                           
               
     

   

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© 2000-2001 - Texto de Avómi - Ilustração de Ilona Bastos

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