FELIZ NATAL! * * * FELIZ NATAL! * * * FELIZ NATAL!

O Eléctrico de Natal

Uma História

de

Ilona Bastos

- Olh'ó eléctrico! Olh'ó eléctrico! - gritou o menino, excitado.

E a mãe espantou-se:

- Qual é a admiração, Júlio? Eléctricos há muitos!

Mas o rapaz, agitado, puxava a mãe pelo braço, ao longo da Rua dos Fanqueiros.

- Quero ir no eléctrico!

A mãe voltou-se e percebeu. Todo engalanado de luzes e decorações natalícias, o eléctrico amarelo evoluía pela rua fora como um brinquedo gigante saído de um conto de fadas.

O som dos cânticos de Natal invadia a rua, alegrando as pessoas que entravam e saíam das lojas, também elas enfeitadas para a quadra festiva.

O menino não hesitou quando o carro passou junto dele, e, de um salto, arrastou a mãe para o veículo, tropeçando nos degraus.

Lá dentro, uma claridade especial fez mãe e filho piscarem os olhos, enquanto o palhaço Aboborinha os convidava a sentarem-se, com patuscos gestos das suas mãos enluvadas.

Espreitando pela janela emoldurada de branco, parecia a cidade coberta de neve. E dentro da carruagem os bancos de madeira envernizada brilhavam com o esplendor dos arraiais.

Os palhaços contavam anedotas, torcendo a boca pintada, em enormes gargalhadas. O Júlio ria, também, como que hipnotizado. A mãe, olhando em redor, sentia-se novamente menina, feliz, ansiando pelos presentes que o Menino Jesus deixaria junto à chaminé.

Lâmpadas de todas as cores salpicavam a noite, formando desenhos de anjos, laços e azevinhos esvoaçantes e, ao fim de tantos anos, as velhas ruas da baixa lisboeta voltavam a surgir à mãe do Júlio como caminhos encantados, onde todos eram felizes e só a Alegria e o Amor imperavam.

Na Praça do Comércio, o eléctrico parou, e os palhaços, com grandes acenos e sorrisos, despediram-se dos passageiros, entregando-lhe, à saída, um embrulhinho surpresa.

- Feliz Natal! Feliz Natal! - entoavam as crianças e o condutor.

- Festas Felizes! Festas Felizes! - cantavam o Júlio e a mãe.

E aquelas palavras, repetidas vezes sem fim, soavam como badaladas de um sino em dia de festa.

O Júlio voltou a agarrar o braço da mãe, desta vez para a levar até uma loja de brinquedos, onde um Pai Natal risonho guiava as suas renas pelo azul dos céus.

A mãe seguiu o filho contrariada, sem desprender o olhar do eléctrico de Natal, onde um novo grupo de crianças iniciava o seu passeio.

Malicioso, o Júlio soltou uma gargalhada:

- Então, mãe! Eléctricos há muitos!

Queres ver como são os "eléctricos" como o da história?

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